Qual o lírio entre as sarças,
assim é a minha amada entre as virgens!
(Ct 2:2; tradução pessoal)
A glória do amor é a restauração da amada, que se vê emergir do seu próprio passado de auto-crítica, desprezo, humilhação, falta de valorização pessoal. Mas quem a recupera? Quem a resgata? Quem desce às profundezas das misérias humanas e rompe com as camadas do machismo, colocando-a como a pérola preciosa e de inigualável valor? O noivo, o seu amado.
Vimos os efeitos que o amor de um homem é capaz de realizar numa mulher. A própria noiva nos confessou isso no verso anterior. Agora, nestes versos, é ele quem se dirige a ela. E o que ele diz é o ponto máximo da celebração do verdadeiro amor: “Diante de ti, todas as outras são como espinhos”!
Ele declara a singularidade, a distinção, a excelência da amada diante de quaisquer outras mulheres. Entretanto, é imprescindível aqui nos perguntarmos se tal amor é possível no mundo caído em que nos encontramos? É possível a um homem amar uma mulher ao ponto de que ela seja a única?
O tema sempre foi desejado entre todos os povos. Um amor sublime! O amor que supera a todas as investidas do mundo, da carne e do diabo e não sucumbe. Penélope, esposa de Ulisses, tecendo o seu manto durante o dia, o desmanchava durante a noite, aguardando a volta do seu marido. O pai de Penélope, sem saber se o genro estava vivo ou morto e querendo casar a filha, obrigara que ela aceitasse a visita de pretendentes. Contudo, querendo permanecer fiel ao marido, que já se ausentava de casa por longos anos, usava desse artifício para ganhar tempo durante a corte de seus pretendentes. Assim, ela conseguia adiar o possível matrimônio. Penélope ainda usou de um segundo artifício: sabendo quão duro era o arco de Ulisses, disse que se casaria apenas com aquele que o conseguisse dobrar. E a narrativa da Odisseia nos presenteia com a volta do herói, que disfarçado de mendigo, finalmente se apresenta diante da fiel e apaixonada companheira e realiza a façanha de dobrar o próprio arco.
O príncipe Filipe, que enfrenta todas as tormentas, as dificuldades criadas por Malévola, ele atravessa, como nas antigas lendas de Eros e Psique, os desafios simbólicos dos antigos arquétipos e nos presenteia com a imagem do jovem guerreiro que luta pela sua Bela Adormecida. Estes temas são eternos e, presentes universalmente, confirmam o anseio humano pela vitória do Amor sobre a miséria da vida ou, nas palavras de Agostinho, a universalidade desse tema revela a nossa saudade de um amor que um dia conhecemos e para o qual desejamos voltar...
Todavia, somos totalmente depravados e distantes de exercer pela mulher escolhida um amor que a coloque na condição de singular dentre todas as demais. Mas a proposta cristã é a de resgate desse amor sublime através da ação do amor de Deus no coração do homem cristão! Assim, o marido, o noivo, o namorado são desafiados a entregar suas vidas a Deus para que, regenerados e amados pelo Espírito Santo, eles possam ter o Espírito de ousadia para atingir o alvo excelso de Deus para o homem no casamento, a saber: “Marido, ame a sua esposa, assim como Cristo amou a Igreja e deu a sua vida por ela” (Ef 5: 25). O amor de Deus na vida do homem cristão revelará a esse mesmo homem que, para Jesus, a Igreja é a menina dos seus olhos, pérola preciosa, única amada por quem Jesus entregou a própria vida por amor!
O homem cristão, desde a infância, precisa ser criado para tratar a sua namorada, a sua noiva e a mulher com quem irá passar toda a sua vida da mesma maneira que Cristo trata a Igreja: este é o modelo para o homem cristão no namoro, no noivado e no matrimônio – nada menos do que isso!
Então que o homem cristão possa ser esse homem verdadeiro - o macho alfa - pleno de sua masculinidade, que vemos ser tão reverenciado pela mulher do Livro de Cânticos. E que o nosso amor pela mulher que Deus nos confiou possa declarar a ela pelo poder do Espírito Santo: tu és para mim a única entre as mulheres, meu amor!
http://casal20ribas.blogspot.com/

Ah, que lindo que o texto ficou aqui no teu blog, Pastora Mara. Amamos! Obrigado, querida. Lindas fotos. Parabéns. Ficamos encantados. Muito bonito mesmo!
ResponderExcluirAbraços sempre afetuosos.
Fábio e Lu.