quarta-feira, 27 de julho de 2011

No frigir dos ovos

Olha só que texto genial com ditos populares. Pena não saber quem é o autor

Pergunta
  
 Alguém sabe me explicar, num português claro e direto, sem figuras de
 linguagem, o que quer dizer a expressão "no frigir dos ovos"?
 
 Resposta:
  
Quando comecei, pensava que escrever sobre comida seria sopa no mel, mamão com açúcar. Só que depois de um certo tempo dá crepe, você percebe que comeu gato por lebre e acaba ficando com uma batata quente nas mãos. Como rapadura é doce mas não é mole, nem sempre você tem idéias e pra descascar esse abacaxi só metendo a mão na massa.
  
E não adianta chorar as pitangas ou, simplesmente, mandar tudo às favas.
Já que é pelo estômago que se conquista o leitor, o negócio é ir comendo o mingau pelas beiradas, cozinhando em banho-maria, porque é de grão em grão que a galinha enche o papo.    Contudo é preciso tomar cuidado para não azedar, passar do ponto,  encher linguiça demais. Além disso, deve-se ter consciência de que é necessário comer o pão que o diabo amassou para vender o seu peixe. Afinal não se faz uma boa omelete sem antes quebrar os ovos.
  
 Há quem pense que escrever é como tirar doce da boca de criança e vai  com muita sede ao pote. Mas, como o apressado come cru, essa gente  acaba falando muita abobrinha, são escritores de meia tigela, trocam alhos por bugalhos e confundem Carolina de Sá Leitão com caçarolinha  de assar leitão.
  
 Há também aqueles que são arroz de festa, com a faca e o queijo nas  mãos eles se perdem em devaneios (piram na batatinha, viajam na  maionese... etc.). Achando que beleza não põe mesa, pisam no tomate,  enfiam o pé na jaca, e no fim quem paga o pato é o leitor que sai com  cara de quem comeu e não gostou.
 
 O importante é não cuspir no prato em que se come, pois quem lê não é  tudo farinha do mesmo saco. Diversificar é a melhor receita para  engrossar o caldo e oferecer um texto de se comer com os olhos,  literalmente.
  
 Por outro lado, se você tiver os olhos maiores que a barriga o negócio  desanda e vira um verdadeiro angu de caroço. Aí, não adianta chorar  sobre o leite derramado porque ninguém vai colocar uma azeitona na sua  empadinha, não. O pepino é só seu, e o máximo que você vai ganhar é  uma banana, afinal pimenta nos olhos dos outros é refresco...
 
 A carne é fraca, eu sei. Às vezes dá vontade de largar tudo e ir  plantar batatas. Mas quem não arrisca não petisca, e depois, quando se  junta a fome com a vontade de comer, as coisas mudam da água pro vinho.
  
 Se embananar, de vez em quando, é normal, o importante é não desistir  mesmo quando o caldo entornar. Puxe a brasa pra sua sardinha, que no  frigir dos ovos a conversa chega na cozinha e fica de se comer rezando. Daí, com água na boca, é só saborear, porque o que não mata engorda.
  
Entendeu o que significa “no frigir dos ovos”?
 
recebi de uma amiga por email... Mara Duarte




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